Os mitos dos rios |
demo, diañu burllón, tardo, trasgo ou trasgu, encanto, home-peixe...
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xanas, xairas, inxanes, xanes, janas ou anjanas, encantos, fadas, donas d'aigua, moras ou mouras, lami, lamiak, lainas ou lumias, ondinas, feiticeiras, velhas, senhoras e princesas...
E, pescando na beira de dito rio, um vizinho do lugar de Marce viu uma xácia, bela e formosíssima, a qual manifestou ao pescador que, se a baptizava quedaria desencantada, e casaria com ela... E realizou-se o matrimónio... Aborrecida a xácia do seu marido, abandonou, e voltou ao encanto, mas os seus parentes despedaçaram-na nas profundidades do rio..., assim cruelmente tratada pelos demais xácios, por fazer-se cristiá, baptizando-se.
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tardo, trasgo ou trasgu, demo, diañu burllón, encanto, home-peixe...
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feiticeiras, velhas, senhoras e princesas, ondinas, encantadas ou encantos, fadas, donas ou donas d'aigua, moras ou mouras, xanas, lami ou lamiñaku, lavandeiras... Entes dos rios, mui topadas entre Arbo e Melgaço, representam o desejo tentador pelo inexplorado -a riqueza e o prazer, também a fatalidade- em oposição ao controlado -a ordem, mas com a escassez de cada dia-, o pagão antagonista do cristão.
A primeira vez que passavam, sobre todo ós rapaces da montanha, diciamos-lhe:
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velhas, feiticeiras, encantos, senhoras, mouras, bruxas, demos, fadas, donas...
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serpe, cóbrega, cuélebre, drago, crocodilo, coca ou coquetriz, tarasca, encanto, xerpa ou serpa... Representação do mal, de tamanho extraordinário, vêm do mar (Monção) ou rodam pelas ribeiras (Ribeira Sacra) e voam quando são velhas. Emparentadas com os encantos e as serpentes que guardam tesouros em covas.
As cobras cando som velhas, claro que volavam... E andavam darredor, mordiam o rabo, enroscavam-se, tiravam-se pola ribeira ou polos montes... Eu nunca as vim, sempre se dixo, contam eso...
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Os mitos dos antepassados deixam de manifestar-se, morrem com os derradeiros ribeiraos que os topavam, sem procurar um acomodo para eles nas narrações dos mais novos. Resistiram a romanização e o cristianismo: Martinho de Dume (518-525) e Frutuoso de Braga (579-665) reprovam -desde uma leitura romano-cristã- o culto aos demos expulsados dos céus que presidem o mar, rios, fontes e montes (Neptuno, Lámias, Ninfas e Dianas).
Os rios foram lugares de passo, sustento e lazer para a povoação das ribeiras. Espaço para a relação entre os homens, e destes com outros entes com os que compartiam território e disputavam valores morais (reflectem a mentalidade colectiva, explicam e justificam o passado e o presente, e mostram os projectos do futuro). Ao lembrar alguns traços daqueles mundos enlaçados saberemos um pouco mais da nossa herança cultural.
